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"Caros companheiros, esse espaço é dedicado a textos políticos, históricos e filosóficos como também para as ações do Nosso Mandato Popular.
Leia, discuta, critique e divulgue nossa luta."
Profº Glauber Robson

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domingo, 15 de novembro de 2009

120 Anos de República.

O século XIX foi marcado pelas independências das Colônias européias na América, a grande maioria delas tornaram-se repúblicas. Porém no Brasil ocorreu um caso atípico, tornamo-nos independentes politicamente de Portugal, mas adotamos um regime monárquico.
Vivemos nossos primeiros 67 anos de independência política sobre a égide do Império (Primeiro e Segundo Reinados, e ainda um Período Regencial). Em 1889 um golpe destituiu o Imperador Dom Pedro II e instituiu o modelo republicano em nosso país. Um golpe organizado pela elite civil e que teve como principal motor a participação dos militares, que tinham ganhado autonomia e conhecimento sobre o modelo republicano durante a Guerra do Paraguai.
A República (res=coisa, public=pública, sendo então a gestão da coisa pública) deve ser construída na vontade do povo e na observância as leis. Estes 120 anos de república no Brasil, foram marcados pela usurpação do patrimômio coletivo e na noção de que o Estado é um instrumento para obtenção de vantagens pessoais e individuais. Criando assim um paradoxo entre a teoria e a prática do que deve ser um governo republicano.
Desde o Governo de Deodoro da Fonseca, militar que simbolicamente liderou o processo que livrou o Brasil da Monarquia, muitas foram as vezes em que nossos governantes optaram pelo confronto com a legalidade. Vargas enraizou-se no Poder e dissolveu o Congresso para outorgar uma nova Constituição, que garantia sua permanência no poder.
A legalidade, base da República, foi várias vezes vilipendiada. Linhas sucessórias foram desrespeitadas, como no caso do vice de Jânio Quadros, João Goulart, impedido de assumir em 1961, após a renúncia do titular.
O povo brasileiro foi sempre relegado a segundo plano, não participou das decisões importantes, sua representatividade foi tolhida por medidas arbitrárias seja sobre as artimanhas Getulistas, ora ditatoriais ora constitucionais, ou sobre os terríveis Anos de Chumbo (1964-1985). As ditaduras marcaram profundamente nossa história, dos 42 Presidentes que tivemos, 15 foram militares.
Certo é que civis ou militares muitos atentaram contra a essência do republicanismo. No período compreendido entre 1889 e 2009 quem governou o Brasil não foram apenas Ditadores e individuos eleitos, alguns justos, outros aventureiros e uns tipos messiânicos. No Comando de nosso imenso Brasil estiveram também a corrupção e o patrimonialismo, que são outros nomes da usurpação do patrimônio coletivo e do uso do Estado para obtenção de vantagens individuais.
"O Golpe de Estado é a prática, aprendida na era do absolutismo, de negar os direitos públicos. Nesta arte, o Brasil é mestre."
Vivenciamos hoje um bom "surto" de democracia, o país avança na revolução social porém a marca dolorosa da corrupção e do clientelismo ainda galopa nesse imenso país, deixando marcas profundas em nosso povo. Precisamos nos conscientizar e forjar a participação popular,das massas, rompendo os modelos estabelecidos, barreiras e preconceitos, organizando a luta em prol de uma república de fato e de direito.
Precisamos arrancar o véu da alienação que coloca nossas vidas como satélites do dinheiro, tornando-nos uma massa inerte que baseia suas vidas no ter em vez de valorizar o ser. Incapazes de construir uma verdadeira República de sair da condição de marionetes e tornar-se verdadeiramente sujeitos do processo histórico.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

20 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM

Esta semana comeorou-se com festa e entusiasmo os vinte anos da queda do Muro de Berlim, construído em 1961, foi símbolo da divisão do mundo em dois blocos, sendo um dos maiores símbolos da Guerra Fria. Onde o regime Comunista liderado por Moscou opos-se ao regime Capitalista liderado por Washington.
Para muitos teóricos, cientistas políticos a queda do Muro simbolizou o colapso do Mundo Comunista. Era a prova do fracaso de um regime que fora implantado em 1917, como uma alternativa ao Capitalismo. E principalmente entre 1945 e 1989 (período entre o Fim da 2ª Guerra Mundial e a queda da URSS), foi um período crítico, onde por várias vezes o mundo esteve a beira de colapso, com a iminência de uma guerra nuclear. As disputas bélicas, espaciais e de propaganda mascararam a real face desses regimes tão dicotômicos e análogos.
Dicotomicos pela essência, um baseado no Livre Mercado, na liberdade, na competição como fruto das leis naturais da economia, lei do mais forte. Outro tem suas bases na economia Planificada, nas rigidas leis e na falta de liberdade economica.
Análogos nos métodos utilizados para se sobrepor um ao outro. Ambos forjaram sua supremacia em suas áreas de influência, tomando como base uma imposição severa, na força de sua economia ou de seu potencial bélico. Mas você pode, caro leitor, questionar: esse foi o modelo Soviético, Ditatorial. Sim. É verdade, porém os Estados Unidos, comandantes do Capitalismo no Pós-Guerra também usaram os mesmos métodos, talvez até mais além. Veja alguns exemplos: o apoio a golpes de estado e governos ditatoriais em vários países da América Latina, como Brasil, Uruguai, Chile, Guatemala entro outros. A invasão ao vietnã. Para os ianques, democracia e liberdade só nos seu território. Para os seus satélites guerras, desstruição, fome e secção de direitos constitucionais e humanos.
Quando Gorbachetv anunciou o fim da URSS os defensores do Capitalismo anunciaram sua vitória sobre o "nefasto" sistema que tanto assombrou o mundo capitalista. Alguns escreveram que era o fim da história, com se o maniqueísmo Bipolar tivesse deixado de existir.
Veio a tona então um mundo multipolar, alicerçado em modelo neoliberal baseado no enfraquecimento do Estado, teoria do Estado Mínimo, valorização da "Liberdade Econômica.
Foi uma febre, o Capital conseguiu em alguns países implantar reformas sociais significativas que maquiaram os problemas socias crônicos, fazendo com que criasse a sensação de avanço e uma paralisação dos movimentos sociais que perderam seu referencial.
No entanto a hegemonia do Capitalismo Neoliberal, pós queda do Muro de Berlim. Não conseguiu completar sua duas décadas de supremacia. A Crise Econômica que estourou em 2008 trouxe de volta uma velha discussão que parecia ultrapassada. Como resolver as desigualdade vigentes no mundo com a falência do "imbatível" Capital?
Como alinhar crescimento econômico e divisão de renda em um mundo marcado pela concorrência entre nações?
Cabe a nós refletir sobre um novo modelo, capaz de romper os Muros Invisíveis que ficaram. O muro de concreto e arame farpado soçobrou, porém os muros que sustetam a fome, a miséria, a falta de educação, a concentração de renda, os latifundios, os apartheids dos século XXI que fazem crescer as legiões de escravos modernos. Escravizados pela falsa necessidade de consumir cada vez mais e mais, esquecendo o que são e pautando sua vida num corre-corre consumista que os leva ao consumo desenfreado que reproduz as tristes relações de dominação de uma minoria sobre a grande maioria.
Relegando uma imensa massa a condições desumanas, vistos escória que quando não serve de mao-de-obra barata ou de exército de reserva é tratado como um peso a ser carregado.
A solução a esse modelo continua sendo o Socialismo.
Um Socialismo moderno moldado no mundo atual, de olho nos velhos problemas, com visão no século XXI com seus desafios. Observando os erros do chamado "Socialismo Real" e mostrando que esse modelo foi uma experiência errônea, mas que teve seus pontos de avanço, principalmente no atendimento as necessidades básicas da população dos países onde foi implantado.
Construir um mundo pautado na justiça esse é nosso desafio. A baixo
os muros invisíveis, que são mais fortes que qualquer concreto.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A Carlos Marighella.

"Retiro da maldição e do silêncio e aqui inscrevo teu nome de baiano: Carlos Marighella." Jorge Amado.

Aos 4 dias do mês de novembro de 1969, na Alameda Casa Branca era brutalmente executado o Comandante da ALN - Ação Libertadora Nacional, Carlos Marighella, em uma emboscada armada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, líder do esquadrão da morte, grupo terrorista que vivia sobre a proteção do estado ditatorial vigente em nosso país de 1964-1985.
Marighella teve sua vida inteira dedicada a revolução comunista, baiano de nascimento, radicado em São Paulo, militou no PCB (Partido Comunista Brasileiro)desde da juventude, destacando-se como um dos mais combativos militantes, dotado de uma excepcional capacidade de trabalho e admirável coragem.
O primeiro embate com os órgaos de repressão foi ainda no governo Vargas, quando foi preso pela policia política de Felinto Muller.Como membro da constituinte de 1946 teve importante papel na elaboração daquela que seria nossa Carta Magna até 1964.
Durante a Ditadura Militar rompeu com o PCB, que adotara uma linha branda, esperando que o regime instalado cedesse e então os comunistas pudessem voltar a legalidade, essa cissão criou o Agrupamento ou Organização, formado principalmente por militantes paulistas.
Essa organização tornou-se posteriormente a ALN. Que combateu duramente o Regime Militar que administrava o país com mão autoritária. Assim como outros grupos a ALN, foi duramente perseguida e exterminada, assim como toda a luta armada, no Governo do General Médice, que governava sobre a égide do AI-5.
Símbolo de brasileiros que lutaram pela democracia e contra a tirania, organizações como a ALN foram fundamentais para a democracia que temos hoje.
Não podemos esquecer dos nossos verdadeiros heróis, que lutaram e construíram uma país melhor.
Salve as Lutas Revolucionárias contra a Ditadura, Salve Marighella!